Operações · Tecnologia

O problema que passei um ano tentando resolver era o errado

O previsto e o realizado de uma operação de eventos se encontrando num só lugar

Por um ano inteiro, eu tentei melhorar a comunicação.

Montei grupos melhores. Separei por área, por turno, por função. Criei planilhas mais bem organizadas, com abas, cores, responsáveis. Fiz checklists que cobriam cada etapa da operação, do rider técnico ao encerramento. Toda vez que algo dava errado, minha conclusão era a mesma: precisamos nos comunicar melhor.

Nada disso resolveu.

Levei muito tempo pra entender por quê, e a resposta foi desconfortável. Eu tinha passado um ano tratando o sintoma. O problema nunca foi a comunicação. A comunicação sempre funcionou. As pessoas se falavam o tempo todo, com dedicação, competência e boa vontade. O problema era outro, e eu tinha ficado cego porque estava olhando na direção errada.

O que realmente acontece numa operação

Deixa eu descrever uma cena que se repete em todo evento que observei.

O plano dizia que o portão abria às 18h. Abriu 18h40. O rádio anunciou uma coisa, uma mensagem no WhatsApp dizia outra, e quem estava fisicamente no portão lembra de uma terceira versão. Três registros do mesmo fato, todos verdadeiros para quem os escreveu, nenhum deles igual ao outro.

No dia seguinte, alguém pergunta a que horas o portão abriu de fato.

E ninguém sabe responder com segurança.

Isso não é falha de comunicação. Todo mundo comunicou. O rádio comunicou, o WhatsApp comunicou, a pessoa no portão comunicou. O que faltou não foi mensagem. Faltou um lugar onde essas três versões se encontrassem, a diferença aparecesse, e alguém decidisse qual era a verdade.

O problema não era comunicação

Foi aí que a ficha caiu.

O que uma operação de evento precisa não é se comunicar melhor. Ela já se comunica o suficiente, às vezes até demais. O problema é que ela se comunica e não guarda nada.

A operação acontece. A operação é comunicada. A operação termina. E a operação evapora.

No fim, sobra a sensação de que deu certo, ou de que deu trabalho, mas não sobra o conhecimento. O que foi planejado e o que de fato aconteceu nunca se encontram em lugar nenhum. E é justamente na distância entre esses dois, entre o previsto e o realizado, que mora todo o aprendizado possível de um evento. O portão que abriu atrasado, o fornecedor que entregou a menos, a área que precisou de um reforço que ninguém tinha previsto.

Essa distância é uma das coisas mais valiosas que uma operação produz. E é exatamente ela que se perde, porque não existe lugar nenhum onde ela seja registrada, comparada e resolvida.

Conhecimento que não fica é conhecimento que você vai ter que comprar de novo, com o mesmo preço, na próxima edição.

O que faltava não era um canal

Passei meses convencido de que a solução era uma ferramenta de comunicação melhor. Um app onde a equipe se falasse com mais contexto, mais organização.

Estava errado de novo. O último app de comunicação que o mundo precisa é mais um app de comunicação.

O que faltava não era um canal a mais para conversar. Era um lugar onde a conversa vira uma verdade operacional. E essa verdade fica.

E fica para fazer alguma coisa. Não para virar um arquivo que ninguém abre. O portão que atrasou nesta edição precisa virar o portão que abre no horário certo na próxima. O fornecedor que entregou a menos precisa entrar no planejamento do ano que vem já com essa ressalva. O reforço que ninguém previu precisa estar previsto da próxima vez.

É isso que quase nenhuma operação consegue fazer hoje: transformar o que viveu numa edição em como vai operar na próxima. Cada edição recomeça quase do zero, repetindo os mesmos erros, redescobrindo as mesmas soluções e pagando de novo por um aprendizado que já tinha sido pago antes.

Quanto mais eu descrevia esse lugar, mais óbvio ficava que ele precisava existir.

Então fui procurar.

Não encontrei.

Procurei esse lugar. Ele não existia.

Olhei o que o mercado oferecia. Encontrei ferramentas de planejamento, que param no momento em que o evento começa. Encontrei ferramentas de comunicação, que registram conversas mas não sabem o que é verdade. Encontrei planilhas, muitas planilhas.

Não encontrei o lugar onde o planejado encontra o realizado, a diferença vira aprendizado, e esse aprendizado volta para dentro da próxima edição, tornando ela melhor que a anterior.

Então decidi construir.

Ele se chama Pulso. É o lugar onde o previsto encontra o realizado, a operação deixa de evaporar e cada edição nasce melhor que a anterior.

Ainda está no começo. Ainda estou validando muita coisa. Mas a ideia por trás dele não nasceu numa sala de reunião nem numa sessão de brainstorming. Nasceu de um ano inteiro tentando resolver o problema errado, e só depois entendendo qual era o problema certo.

No próximo artigo, quero mostrar o que acontece quando uma operação deixa de recomeçar do zero e passa a carregar, de uma edição para outra, tudo o que aprendeu.

Alex Ferreira
Alex Ferreira

Fundador, Smartify Solutions

Vinte anos desenvolvendo software. Apaixonado por sistemas que funcionam de verdade.

Conheça a solução

Pulso: onde o previsto encontra o realizado

O lugar onde a operação deixa de evaporar. O que foi planejado e o que de fato aconteceu se encontram, a diferença vira aprendizado, e cada edição nasce melhor que a anterior.

Conhecer o Pulso