Processos · ERP
Um bom ERP não corrige um processo ruim
A simples aquisição de um ERP não resolve os problemas operacionais de uma empresa.
O sistema é uma ferramenta.
Ele pode automatizar processos, realizar cálculos, integrar áreas e facilitar controles. Mas, se o processo estiver desorganizado, se as regras não estiverem bem definidas ou se a parametrização estiver incorreta, podemos simplesmente automatizar um processo que já estava errado.
Por isso, antes de discutir como configurar o sistema, precisamos entender como o processo deveria funcionar.
Antes de parametrizar, precisamos entender o processo
Durante uma implantação ou revisão de ERP, é comum começarmos pelas perguntas sobre o sistema.
- Qual evento devemos utilizar?
- Onde essa informação deve ser cadastrada?
- Qual parâmetro precisa ser alterado?
Essas perguntas são importantes, mas antes delas precisamos responder outras.
- Qual é a regra da empresa?
- De onde vem essa informação?
- Quem é responsável por ela?
- Quem precisa validá-la?
- Para onde essa informação vai depois?
- Quais outros processos serão impactados?
Quando essas respostas não estão claras, o problema não é apenas de sistema.
Por isso, o primeiro passo deve ser mapear o processo, identificar possíveis falhas e definir como ele deve funcionar. Somente depois disso devemos configurar o ERP para representar esse processo.
A liderança precisa participar
Outro ponto importante é o envolvimento da liderança.
Nem todas as decisões de uma implantação são decisões técnicas.
Muitas envolvem regras da empresa, responsabilidades, políticas internas e definição de como determinadas situações devem ser tratadas.
Por isso, não podemos deixar todas essas decisões somente com a equipe responsável pela operação ou com os consultores do sistema.
A liderança precisa participar, principalmente das decisões que afetam regras e processos importantes da empresa.
Treinar uma vez não é suficiente
Também não adianta fazer uma implantação, treinar os usuários uma única vez e considerar o processo encerrado.
- A operação muda.
- A legislação muda.
- Os benefícios mudam.
- Os funcionários mudam.
- As regras da própria empresa podem mudar.
Por isso, precisamos manter os usuários capacitados e revisar os processos e as parametrizações sempre que necessário.
O usuário precisa entender não apenas onde executar uma determinada atividade no sistema, mas também o que aquela informação representa e quais são seus impactos.
E depois de tudo isso, precisamos conferir
Existe ainda uma etapa fundamental: a conferência.
Isso fica muito claro quando falamos de folha de pagamento.
O sistema realizou o cálculo. Mas o resultado está correto?
- A quantidade de funcionários está correta?
- Os valores calculados fazem sentido?
- Os descontos estão corretos?
- Os benefícios estão corretos?
- As informações que serão enviadas ao eSocial estão coerentes?
- A contabilização representa corretamente aquilo que aconteceu na folha?
O usuário não deve apenas executar o cálculo e aceitar o resultado apresentado pelo sistema.
É necessário conferir.
A conferência não significa que o ERP não seja confiável. Significa que a empresa mantém controle sobre o próprio processo.
O sistema é parte do processo
Quando surge um problema, é muito fácil concluir que precisamos alterar alguma coisa no ERP.
Mas antes de perguntar “onde devemos alterar isso no sistema?”, talvez seja necessário fazer uma pergunta anterior:
“Qual informação precisamos gerar e por que ela precisa ser gerada dessa forma?”
Depois:
“De onde essa informação vem e para onde ela vai?”
E então:
“Como o sistema deve ser parametrizado para representar corretamente esse processo?”
Essa sequência faz diferença.
Um bom ERP é uma ferramenta extremamente importante para a operação de uma empresa. Mas bons resultados dependem também de processos bem definidos, parametrizações corretas, pessoas capacitadas, participação da liderança e conferência contínua.
Tecnologia sozinha não organiza um processo.
Ela executa aquilo que definimos para ela executar.
E na sua empresa?
Quando aparece uma divergência na folha, no eSocial ou na contabilização, sua equipe consegue identificar se a origem está no sistema, na parametrização ou no próprio processo?
Se essa resposta nem sempre é simples, talvez exista uma oportunidade de olhar para o processo antes de fazer a próxima alteração no ERP.

